BIOGRAFIA

6 de abril de 2020 | comments : 0

 
 

Dirson Félix Costa nasceu em uma família de músicos na cidade de Floriano, estado do Piauí, no dia 20 de novembro de 1923. Filho caçula de Antônio Pereira da Costa (mestre da Banda de Música Euterpe) e Aurora Lira Costa (organista oficial da igreja da cidade e flautista), tinha como irmãos mais velhos Devaldino Costa (violinista) e Diva Costa (pianista).

Aos 5 anos de idade, iniciou seus estudos de música com sua mãe, com quem aprendeu a tocar flauta e piano. Aos 6 anos, com sua pequenina flauta já encantava a plateia de amigos que freqüentava sua casa todos os domingos para ouvir os saraus da família Costa. Com seu pai aprendeu vários instrumentos de sopro.

Foi assim sua infância e adolescência. Além da escola, tocava junto com sua família nos saraus familiares e na missa de domingo na igreja de sua cidade.

Mudou-se para o atual estado de Roraima em 1943, aos 20 anos, durante a explosão do garimpo de diamante; na bagagem o desejo de ser garimpeiro, um violão e a música na alma. Lá, trabalhou no garimpo do maior fazendeiro local, Adolfo Brasil, de quem conquistou profunda amizade e respeito e logo se tornou seu pupilo. No garimpo, passava as horas vagas sozinho tocando violão e compondo. A música embalou a saudade e o fez usufruir da intimidade familiar de Adolfo Brasil, um homem apaixonado por música e, mais tarde, seu mecenas. Tinha em sua casa uma sala de música com vários instrumentos musicais, onde promovia com freqüência festas e saraus. À pedido dele o jovem Dirson se apresentava tocando saxofone, flauta, piano ou violão para seus convidados demonstrando grande habilidade para a música.

Admirador de seu talento, Adolfo Brasil ao tomar conhecimento do concurso no Rio de Janeiro para formação em música, imediatamente inscreveu seu pupilo, o incentivou a concorrer à única vaga destinada à região norte e financiou sua viagem à Belém para fazer a seleção. Conquistada a vaga, Dirson Costa partiu para o Rio de Janeiro sob a tutela do governo do então Território Federal de Roraima a pedido de Adolfo Brasil. Lá, fez seus estudos no Conservatório Nacional de Música, onde foi aluno de Heitor Villa-Lobos, Lorenzo Fernandes, Vieira Brandão, Paulo Silva, Andrade Murici, Teobaldo Miranda, Itiberê Brasílio, Asdrubal Lima, Florêncio de Almeida e Gazi de Sá. Habilitou-se em composição e regência.

 

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Dirson Costa cantando no Concerto de Formatura em Música. Conservatório Nacional de Canto Orfeônico. Rio de Janeiro (1953)

 
 

Em 1953, foi aclamado orador oficial de sua turma de formatura. Foi também escolhido pelo maestro Heitor Villa Lobos, diretor da escola, para ser regente oficial do Conservatório Nacional durante as solenidades de formatura, regendo a obra do Padre Anchieta “Redondilhas” no auditório da Associação Brasileira de Imprensa.

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Dirson Costa (segundo da esquerda para direita, na última fileira) na Formatura em Música, com Villa-Lobos. Conservatório Nacional de Canto Orfeônico. Rio de Janeiro (1953)

Para conclusão do curso de Música em 1953, compôs sua primeira obra musical, o kyrie da “Missa de São Félix”, escolhida pelo seu professor de composição Heitor Villa-Lobos para regê-la em Haia, como parte do intercâmbio cultural assinado entre o Brasil e a Holanda, cujo objetivo era apresentar jovens compositores dos dois países. Esta composição é uma homenagem ao santo padroeiro de seu nome. No Piauí, naquele tempo, as crianças que nasciam no dia 20 de novembro, dia de São Félix, recebiam o nome do santo em seu nome. Em 1954, volta a Roraima e desenvolve atividades artísticas até 1961.

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Dirson Costa regendo o Coral da Secretaria de Educação do Estado de Roraima (1997)

Se instala em Manaus para reger e dar continuidade ao Coral João Gomes Júnior, criar o Conservatório Amazonense de Música Joaquim Franco e implantar a Orquestra Sinfônica do Estado do Amazonas.Daí em diante, fez pulsar uma vibrante vida musical em Manaus.

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Dirson Costa regendo o Coral e Orquestra Sinfônica Jovem do Teatro Amazonas

 
 

De 1962 a 2000 formou várias gerações de músicos, conjuntos corais e instrumentais, assim como instituições culturais por toda a cidade.

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Dirson Costa regendo a Banda Sinfônica da Escola Técnica Federal do Amazonas. Manaus (1984)

Faleceu em 20 de fevereiro de 2001 aos 77 anos, em São Paulo, não resistindo a uma cirurgia para aneurisma dissecante de aorta abdominal. Seu corpo foi sepultado em Manaus.

Apaixonado pela Amazônia, antes de partir o maestro Dirson Costa deixou escrito o seu legado para a região, onde se encontra o Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia (IDC), cujo objetivo é colaborar para o desenvolvimento cultural da Amazônia.

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Dirson Costa recebendo medalha “Cidadão de Manaus” da Câmara Municipal de Manaus, sua última homenagem em vida (2000)

Fundado em março de 2001, no mês seguinte ao seu falecimento, o IDC é, hoje, uma instituição premiada local, regional, nacional e internacionalmente pelos serviços prestados em prol da preservação cultural da Amazônia. Em 2009, apresentou a cultura ancestral da Amazônia como energia propulsora de Matriz Cultural para o mundo contemporâneo, em New York, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), durante as comemorações “Tributo à Villa-Lobos”, no centenário de Villa-Lobos, eterno mestre do Maestro Dirson Costa. E lançou no mesmo evento, o projeto Ethos Amazônida, que norteia suas ações.

Dirson Costa regendo Orquestra e Coral do Teatro Amazonas na Catedral Metropolitana de Manaus


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