ATIVIDADES PROFISSIONAIS
22 de novembro de 2016 | comments : 0Logo após sua formatura em 1953, no Conservatório Nacional de Música, na cidade do Rio de Janeiro, Dirson Costa tem sua primeira experiência na docência e torna-se professor de Música em escolas tradicionais cariocas como: o Colégio Anglo-Americano, Instituto Santa Terezinha e Colégio São João. Já no início de sua carreira, sente que o ensino é o melhor caminho para realizar seu desejo de fazer música e ampliar essa experiência à sua região do coração. Inicia aí sua trajetória musical, que se desenvolveu pelos estados amazônicos Roraima e Amazonas por quase 50 anos.
No ano seguinte, 1954, de retorno à Amazônia, em homenagem a seu mestre, cria e dirige o Coral Villa-Lobos no Estado de Roraima e assume a cadeira de professor de Música do Ginásio Euclides da Cunha e da Escola Normal Monteiro Lobato, também em Boa Vista – RR. Um convite inusitado em 1955 surge, e Dirson Costa aceita ser Diretor da Rádio Roraima, onde desenvolve com sucesso uma programação intensa de música erudita para os ouvintes da rádio; neste mesmo ano torna-se Regente da Banda de Música de Boa Vista – RR. A cidade começa a experimentar uma efervescência musical. Crianças, jovens e adultos sendo direcionados para a boa música. Nos palcos dos colégios e do cinema da cidade (porque não havia teatro na cidade), na igreja e no coreto da praça central podia-se assistir aos concertos do coral e da banda de música todos os domingos. Estava implantada a cultura musical no então Território Federal de Roraima pelas mãos do jovem maestro Dirson Costa, cujo trabalho incansável duraria quase dez anos ininterruptos.
Era preciso voar mais alto. Muda-se então para Manaus, no Amazonas, no início dos anos 1960 à convite da cantora lírica Cleomar dos Anjos Feitoza para assumir a direção do Coral João Gomes Júnior que estava sem regente. Dá continuidade a uma de suas paixões na música, o magistério, e assume a cadeira de professor de Música do tradicional Colégio Estadual do Amazonas. Ao mesmo tempo, à convite do comandante da Polícia Militar do Amazonas, Ormail Stoccer de Oliveira Junqueira, em 1962 assume o cargo de Regente da Banda de Música da Polícia Militar do Amazonas com a patente de 1º Tenente.
O Governador do Amazonas Artur César Ferreira Reis logo o contrata para a missão de ampliar o campo da música erudita em Manaus, a partir da criação de uma escola de música oficial. Desta forma, em 1964, a pedido de Sua Excelência, redige a mensagem à Assembleia Legislativa do Amazonas enviada pelo Governador Arthur César Ferreira Reis, criando o Conservatório Amazonense de Música “Joaquim Franco” e, em 31 de março de 1965, o Governador inaugura o Conservatório como parte das comemorações de 1 ano da “revolução” de 1964 que acontecia em todas as capitais brasileiras. Embora sua criação oficial tenha sido através da Lei Estadual 223 de junho de 1965. Dirson Costa toma posse como seu 1º Diretor.
Inicia aí um grande feito para a história da música no estado do Amazonas. O poder público assume a tarefa de possibilitar ao povo o acesso à música erudita. Os frutos desta semente se tornam gradativamente visíveis até que, no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, acompanhando a evolução dos tempos, se amplia, desenvolve e se define como política cultural do Governo do Estado do Amazonas, com orçamento próprio e instituições bem definidas no projeto cultural do país. É novo tempo. O país agora tem o seu Ministério da Cultura com consequentes Secretarias Estaduais de Cultura para desenvolver seu projeto cultural.
Após intenso trabalho, Dirson Costa e sua equipe tornam o conservatório uma referência na formação musical amazonense, com método de ensino próprio adequado para a circunstância local, fato registrado muito tempo depois na tese de doutorado da musicista Hirlândia Milon Neves, que se torna o livro “Conservatório de Música Joaquim Franco – Implementação e trajetória na cidade de Manaus” publicado em 2015 pela UEA edições. Segue o Conservatório Amazonense de Música Joaquim Franco formando gerações de músicos para o estado sob a direção do maestro Dirson Costa inundando Manaus de mais e mais música erudita. Daí saíram Corais, orquestra de câmara, grupos musicais para concertos variados pela cidade.

Música de Câmara no Conservatório de Música Joaquim Franco- 1965
Com o desejo de amparar essa escola de música e garantir seu desenvolvimento, em 1969, o Conservatório Amazonense de Música sai da esfera do governo estadual e é incorporado à Universidade do Amazonas (UA), processo iniciado na gestão do reitor Jauari Guimarães de Souza Marinho e concluído na gestão do reitor Áderson Pereira Dutra. Dirson Costa toma posse novamente no cargo de Diretor do agora chamado Conservatório de Música da Universidade do Amazonas que, mais tarde, se transforma no Departamento de Arte da Fundação Universidade do Amazonas, hoje Curso de Música da Universidade Federal do Amazonas. As adequações institucionais são necessárias para o tempo que se apresenta.
Todo o esforço do maestro Dirson Costa para dar a Manaus uma vida musical erudita valera a pena, e a semente da música plantada por ele nos anos 1960 para ampliar a acessibilidade da música prolifera e se torna uma realidade atual.
Manaus em efervescência musical e o maestro Dirson Costa, em 1966, cria a primeira Orquestra Sinfônica do Teatro Amazonas, desativada mais tarde para ser recriada futuramente. Para ele sempre é tempo de recomeçar. Sua devoção à música não o deixa desanimar, sabe que o futuro sempre vem e é preciso trabalhar nos pilares do sonho.

Dirson Costa regendo a primeira Orquestra Sinfônica do Teatro Amazonas – 1966
Tinha a consciência de que é preciso espalhar o gosto pela música por todas as esferas, e o magistério é uma boa oportunidade para isso. Com este pensamento amplia sua atuação no magistério e, em 1967, torna-se professor de Música do Instituto de Educação do Amazonas (IEA), a escola de formação de professores mais importante da cidade, hoje Curso Normal Superior da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Em 1980, Dirson Costa compõe o Hino do Centenário do Instituto de Educação do Amazonas com a letra de Alexandre Otto.
Um marco na história institucional da Música do Estado do Amazonas acontece em 1969, quando Dirson Costa implanta a Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional do Amazonas, sendo seu 1º Presidente e registro Nº 01. Afinal, os músicos precisavam de amparo legal para suas atividades. E a profissionalização do artista sempre esteve em seu foco, pois “o artista precisa criar sua família e realizar sua vida com a sua arte”, dizia ele em rodas de conversas.
O Maestro inicia a década de 1970 com feitos importantes: cria o Coral da Universidade do Amazonas e o Coral da empresa de tecelagem T. Medeiros em Manaus, e inicia uma série de viagens por vários Estados do Brasil, autorizado pelo Magnífico Reitor da Universidade do Amazonas, Áderson Pereira Dutra, a fim de contratar novos professores de música para a profissionalização do Conservatório. Já estavam contratados pela Universidade Emanuel Coelho Maciel, de Belo Horizonte, violino; e Marysa Dulce Magalhães Solenidade Mercaldo Neder, piano. O maestro Dirson Costa contrata nesta viagem: Luiz Caetano da Silva, de Recife-PE, especialista em fagote; Carlos Rodrigues de Carvalho, de Salvador-BA, especialista em oboé; Helena de Souza Rodrigues, de Salvador-BA, especialista em flauta transversal e flauta Bloch; Nelson Eddy Menezes, de Fortaleza-CE, especialista em violino e viola.

Coral da tecelagem T. Medeiros – 1970
Segue obstinado na sua missão de magistério. E em 1972 assume a cadeira de professor de Música no recém-criado Colégio Militar de Manaus (CMM), a convite do seu criador e primeiro comandante coronel Jorge Teixeira de Oliveira. Resultado, coral e banda de música com estudantes do Colégio Militar. Mais uma frente para a música erudita na cidade de Manaus. Assim, a cidade se amplia em admiradores, apaixonados e profissionais da música. É preciso fazer o profissional e a plateia. Caminha com esta certeza na mente e no coração. Em todas as frentes de música em que trabalhava este era o propósito maior.
Mais uma demanda musical se apresenta e o maestro Dirson Costa retorna a Boa Vista – RR em 1975 a convite do Governador do Território Federal de Roraima, Fernando Ramos Pereira, para assumir o cargo de Assessor de Assuntos Culturais. Imediatamente instala a Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional de Roraima, sendo também seu 1º Presidente e o registro Nº 01. Nesse período, cria também o Coral da Secretaria de Educação e Cultura de Roraima e presenteia o povo roraimense com memoráveis concertos.
Concluído seu trabalho em Roraima, Dirson Costa volta a Manaus em 1979 a convite do Governador do Amazonas José Lindoso para assumir a Diretoria do Teatro Amazonas, permanecendo até 1982. Com seu costumeiro entusiasmo inicia logo seu trabalho artístico. E em 4 de julho de 1979 instala o que viria a ser mais tarde o primeiro Corpo Estável do Teatro Amazonas, o Coral do Teatro Amazonas, a semente do atual Coral do Amazonas já profissionalizado.
Ainda em 1979, da esfera federal recebe do Diretor da Escola Técnica Federal do Amazonas, professor Jorge Humberto Barreto, a incumbência de criar o Setor de Música da ETFAM com a missão de humanizar o ensino técnico vigente. Foram quase dez anos de trabalho árduo com jovens talentos e muita música; dessa experiência surgiu uma nova geração de jovens formados a partir do estudo e da vivência com a música. Após os 2 primeiros anos de muito trabalho de educação musical, Dirson Costa cria em 4 de setembro de 1981 a Banda Sinfônica da ETFAM, que faz inúmeros concertos em Manaus e outros estados brasileiros representando o Amazonas.
Na área do canto, como parte do seu projeto de desenvolvimento do canto coral na cidade de Manaus, implanta conjuntos Corais em várias empresas públicas e privadas como: Coral da Petrobras (Empresa Brasileira de Petróleo – 1980); Coral da Telamazon (Companhia Telefônica do Amazonas – 1980); Coral Amazonas (privado – 1983); Coral da Portobras (Empresa de Portos Brasileira – 1984). Ainda em 1984, a pedido do Superintendente da SUFRAMA, coronel Igrejas Lopes, cria a Fundação Amazonense de Música (vinculada a Superintendência da Zona Franca de Manaus) para desenvolver a profissionalização da música clássica em Manaus. E toma posse como seu Presidente em 8 de junho de 1984.
Mas, um ano depois em 1985, a convite do Prefeito Hamilton Gondin, aceita o convite para voltar à Roraima e exerce o cargo de Secretário Municipal de Comunicação Social do Território Federal de Roraima, onde circunstancialmente foi prefeito em exercício.
Mas sua paixão pela música falou mais alto, e no ano seguinte, 1986, retorna à Manaus para logo instalar a Orquestra Sinfônica Jovem do Amazonas na Escola Técnica Federal do Amazonas. A partir de então Manaus experimenta uma ascensão na cena musical, e nascem as bases para espetáculos musicais de grande porte no futuro.
Em 1987, Dirson Costa cria a Fundação Villa-Lobos na Prefeitura de Manaus, sendo nomeado, por decreto do Prefeito Manoel Ribeiro, seu 1º Presidente. Para assegurar seu projeto musical incorpora a Orquestra Sinfônica Jovem do Amazonas e o seu grupo de canto particular o Coral Amazonas à Fundação Villa-Lobos e dirige uma série de concertos por toda a cidade mantendo a vida musical em alta.
Não tardou para mais uma vez o Governador do Estado, agora Amazonino Armando Mendes, convidá-lo para novamente assumir, em 1988, a direção artística do Teatro Amazonas e, consequentemente, do Coral do Teatro Amazonas. Como a vida musical na cidade estava em efervescência, Dirson Costa não perde tempo e cria o segundo corpo estável do Teatro Amazonas, a Orquestra Sinfônica do Teatro Amazonas, que mais tarde se profissionaliza por decreto do Governador Vivaldo Frota em outubro de 1990. Nessa ocasião todos os membros da Orquestra e do Coral que não tinham impedimento legal tiveram suas Carteiras de Trabalho assinadas como funcionários públicos do Estado. Era o início da profissionalização do artista no Amazonas. Esse era seu maior desejo e empenho.

Maestro Dirson Costa e Josetito Lindoso com o Governador Vivaldo Frota-1990
O caminho estava pronto, os governantes sentiam que era importante oferecer música erudita para a população. Mais uma semente plantada por Dirson Costa floresce e dá um maravilhoso fruto e, em 1997, em novos moldes e com novos protagonistas nasce a atual Orquestra Amazonas Filarmônica.
Os anos 1980 foram muito profícuos para o maestro Dirson Costa. Mas sua preocupação em sempre amparar o artista o fez trabalhar juntamente com Josetito Lindoso (então Superintendente do Teatro Amazonas) e Cleomar dos Anjos Feitoza (cantora lírica e solista do Coral do Teatro Amazonas) nos estatutos para transformar a atual Superintendência de Teatro do Amazonas em Fundação Teatro amazonas, nos moldes do Teatro Municipal de Porto Alegre e Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Este projeto foi aprovado por decreto do então Governador Amazonino Mendes e, em 1989, o Teatro Amazonas torna-se Fundação Teatro Amazonas. Dirson Costa assume novamente o cargo de Diretor Artístico atendendo aos trâmites legais. Nos estatutos da agora Fundação Teatro Amazonas fica assegurada a criação dos três corpos estáveis do Teatro Amazonas com a devida implantação e profissionalização dos mesmos, à medida do possível: Coral, Orquestra e Corpo de Dança. Durante a década de 1990, finalmente os Corpos Estáveis do Amazonas estavam em ação profissionalmente, agora sob nova direção e sistema de trabalho. Mais uma vez, a semente do seu trabalho floresceu e deu os frutos que ele acalentara firmemente na sua serenidade. Sua crença de que Manaus teria cada vez mais uma vida musical efervescente e que o alimentara a alma se tornara realidade.
No período de 1991 a 1992, convidado pelo Governador de Roraima, Ottomar Pinto, desenvolveu em Roraima um trabalho artístico de base visando a futura instalação da Orquestra de Câmara do Estado. Ao mesmo tempo, reativa o Coral da Secretaria de Educação e Cultura de Roraima (criado por ele em abril de 1975).
Depois disso, o maestro Dirson Costa decide se dedicar a outra grande paixão, a composição. Para isso, por desejo próprio vai para o Rio de Janeiro, onde impulsiona suas atividades e estudos como compositor durante os anos de 1993 a 1995. Retorna cheio de entusiasmo para a Amazônia, e aceita de imediato o convite do Governador de Roraima Neudo Campos para implantar finalmente a Orquestra de Câmara do Estado. Em dezembro de 1995, implanta a Orquestra de Câmara de Roraima e até 1997 permanece como Assessor de Assuntos Culturais do Estado de Roraima.
No ano seguinte, 1998, retorna pela última vez a Manaus atendendo ao seu desejo interior de impulsionar suas atividades como compositor erudito. À convite da Fundação Rede Amazônica de Rádio e Televisão, em 1999, cria o Coral e a Camerata Rede Amazônica para desenvolver o Projeto “Manaus em Poesia”, cujo propósito é despertar, pelo lirismo da poesia e da música, a paixão pela cidade, culminando com seu espetáculo musical “Ode Lírica – Manaus em Poesia” apresentado no Teatro Amazonas em setembro de 2000 em comemoração aos 28 anos da Rede Amazônica de Rádio e Televisão, 500 anos do descobrimento do Brasil, 150 anos da elevação do Amazonas à categoria de Província e 152 anos da Cidade de Manaus. Uma grande celebração à nossa História. Outra via para a música estava aberta pelo maestro Dirson Costa: o empresariado se envolvendo e investindo na boa música em Manaus. Agora, não só o setor público, mas também o setor privado se empenha para desenvolver a cultura do Estado.
Sempre encantado com as possibilidades de desenvolvimento da Amazônia por meio da arte e da cultura, organiza no ano 2000 o Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia deixando-o como seu legado para as gerações de todos os tempos. Enfim, idealiza uma instituição do terceiro setor social para completar o envolvimento de todas as esferas na tarefa de desenvolver pela arte e cultura de seus ancestrais o cidadão amazônida.

Último concerto. Maestro Dirson Costa rege a estreia da Orquestra Juvenil da Prefeitura de Manaus, anfiteatro da Ponta Negra- Natal de 2000

































